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A ABRACEW exige posicionamento de entidades de classe (ABERT, ANJ e FENAJ)

carta

Prezados Senhores:

Ref.: Solicita posicionamento dessa Entidade

Há algum tempo postamos em nosso site e em nossa fanpage do Facebook, carta aberta dirigida aos responsáveis pela mídia em nosso país, incluindo essa entidade.

Agora estamos enviando a mesma carta personalizada e com AR para ouvir o posicionamento de V.S.as quanto às formas de divulgação de notícias violentas em seu viés sensacionalista pelas emissoras de rádio e televisão, que vem causando enormes prejuízos ao nosso país como um todo, em especial, na formação da nossa juventude.

Convidamos os responsáveis dessa entidade para examinarem o nosso site www.brasilsemviolencianamidia.org.br  onde se encontra os fundamentos científicos que movem este grupo da sociedade civil a lutar por essa causa.

Transcrevemos abaixo o teor da carta para conhecimento de V.S.as e ficamos no aguardo do seu posicionamento a respeito para encaminhamento dos rumos que empreenderemos doravante à nossa campanha.

Atenciosamente,

P/ Associação Brasileira p/ Conscientização do Efeito Werther na Mídia

A. Rocha Miranda – Presidente

SER BOM SEM SER INGÊNUO

Assim como existe a autorregulamentação dos anúncios publicitários, a cargo do CONAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, que acaba de lavrar belíssimo tento em favor da infância e da juventude ao modificar a Seção 11 do seu código de ética, em vigor a partir de março do corrente ano, de forma a impedir que “qualquer anúncio faça apelo imperativo de consumo diretamente à criança”, o desafio de autorregulamentar a divulgação de notícias de violência, pela violência e para a violência apresenta-se hoje como necessidade imperiosa no País.

Para isso, devem ser convocadas as entidades representativas dos veículos de comunicação de massa no Brasil, seja na imprensa escrita, falada ou televisada, sob a responsabilidade institucional da ANJ – Associação Nacional de Jornais e da ABERT – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, e da própria FENAJ – Federação Nacional de Jornalistas.

“Fazer o jogo do inimigo”, com a divulgação sensacionalista da violência sob todas as suas formas, seja a promovida pelo crime organizado ou aquelas geradas pelas variadas forças destrutivas dos mais altos valores humanos, tornou-se hoje no Brasil um verdadeiro “esporte nacional”, com destaque desmedido nas primeiras páginas dos jornais e nas “chamadas” noticiosas do rádio e da televisão. “Devemos ser bons, mas não ingênuos”, já nos advertiu o pensador e humanista González Pecotche.

A ANJ, a ABERT e a FENAJ têm claras responsabilidades sobre esse uso descontrolado, dirigido e massivo de transmissão noticiosa dos seus associados, extremamente desproporcional, de pensamentos, imagens e fatos que violentam a sociedade e que não retratam, de forma alguma, a ampla vida da sociedade brasileira, em suas múltiplas manifestações.

O efeito multiplicador desse noticiário feito de sangue, transgressões, de desgraças e de dramas humanos expostos à exaustão, resulta na reprodução de episódios consequentes, estimulando a histeria coletiva à raiz da informação jornalística de massa, fazendo recrudescer a própria violência.

Se dependesse da hegemonia desse noticiário que, constantemente, realimenta as forças marginais e destrutivas da sociedade, possivelmente o mundo, de fato, teria “acabado” em dezembro de 2012, evento anunciado de forma igualmente massiva como “profecia catastrófica”. Ou mesmo antes dessa “data fatal”…

Até quando a “mass media” continuará servindo, dócil e servilmente, a essas forças antissociais, antidemocráticas e desumanas com a farta, destacada e ingênua divulgação de seus feitos?… Só para “vender mais jornais” e ter mais “ibope” em rádio e televisão, sinceramente pensamos que não.

Há algo muito mais sério e grave. Pensamos, e hoje já há razões científicas para tanto, que ainda reina profunda ignorância sobre as forças mentais e psicológicas que movem o mundo e regem o comportamento humano para o bem ou para o mal. Ainda persiste, no campo jornalístico, o estigma do “aprendiz de feiticeiro”, que lida com forças cujas origens e poderes são por ele totalmente ignorados.

Já é tempo, pois, de ANJ, ABERT e FENAJ pensarem, em sintonia com os melhores quadros do jornalismo brasileiro, numa estratégia que, defendendo-se da manipulação desses agentes psíquicos e mentais, corporificados em diferente agentes, às vezes mascarados das melhores intenções, possa fazer face ao negativismo puro e simples da informação, reequilibrando seu conteúdo no noticiário jornalístico, nem “mar de rosas”, nem “nas garras do diabo”…

Como cidadãos, no pleno exercício das liberdades democráticas e, portanto, da livre expressão do pensamento, queremos reivindicar que a ANJ, ABERT e FENAJ considerem criar, acompanhando a dinâmica própria dos processos sociais, um novo Código de Ética da Informação Jornalística. E sabemos que, na Imprensa, há jornalistas que lutam por essa causa.

E, dentro dele, um capítulo especialmente dedicado à divulgação da violência em seus veículos e plataformas de divulgação, para que eles deixem de ser instrumentos ingênuos ou “correias de transmissão automáticas” de mais violência a serviço da desagregação humana e social, como está acontecendo em nosso País.

Isto é também lutar pela democratização dos meios de informação e, mais ainda, do seu conteúdo e de sua destinação, que não foram feitos para destruir e, sim, para contribuir na construção de uma sociedade melhor.

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